FAMÍLIAS DESESTRUTURADAS: UM EQUÍVOCO CONCEITUAL

Apontada, na maioria das vezes, pelos professores como fonte de origem dos ditos “problemas de aprendizagem” de tais crianças na escola, a “desestruturação” da família dos alunos tende a ocupar um lugar importante nos discurso dos professores como sendo responsável pelo fracasso e a evasão escolar de tais crianças. Isso, considerando-se a população infantil e adolescente como sujeitos passivos de estruturas e processos sociais.
Entender o ponto de vista com quem se fala ou ver do ponto de vista com quem se fala sem se desprender do seu ponto de vista ajuda a entender os diferentes tipos de casamentos, civilizações, etc. Assim como, quais os significados que os povos atribuem em diferentes grupos o seu modo de viver. Entendendo os conceitos e valores que os grupos dão ao seu modo de ser e viver é o respeito ás diferenças.
Compreender que existem outros modos de viver em família nos ajuda a responder questões como: Quem são nossos alunos e de onde eles vêm. Não evitando assim o choque com as diferenças, pois existem modos de ser e de viver que nos surpreendem. Isso, porque o significado que as pessoas dão ao seu modo de viver são suas escolhas as quais não podem ser julgadas pelo nosso ponto de vista; mas do ponto de vista do grupo a que pertence.
O exercício de compreender os significados e modos de viver do outro, suas escolhas e seus valores caracterizam uma organização social (família, educação, etc.). E, nessas diferentes organizações sociais não existe quem sabe mais ou sabe menos, existem quem sabe diferente.
Considerando que tudo é discutível - e já nos ensina a antropologia o exercício de desconfiar, fica aqui a seguinte pergunta: Quais os modos de ensinar e aprender na sua escola?.

Grupos Áulicos

Nomenclatura utilizada pelo Geempa (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação) desde os anos 70 e explicada como uma organização de grupos em que entra o desejo dos alunos, com diretividade.
Como funcionam os grupos áulicos?



A forma como os alunos estão dispostos tradicionalmente, em fileiras, também não é válida, pois estes devem aprender uns com os outros, por este motivo, os Grupos Áulicos, que geralmente contém 4 integrantes em cada.  
Formando os grupos:

A proposta é que cada aluno vote em 3 colegas:

1. aquele com quem gostaria de aprender algo;
2. aquele com quem mais se identifica;
3. aquele para o qual acha que pode e/ou gostaria de ensinar algo.

A cada votação recebida o aluno ganha um determinado número de pontos: se foi votado no 1º caso, ganha 3 pontos, no 2º, 2 pontos, e no 3º, 1 ponto.
As crianças mais votadas, ou no caso do voto triplo as que obtiverem mais pontos (tantas conforme o n° de grupos que se quiser formar), são os primeiros componentes de cada grupo (ou os coordenadores), que passam a escolher colegas para fazerem parte do seu grupo. Se houver empate entre essas pessoas mais votadas, desempata-se através de voto aberto.
Cada um desses “escolhedores” fica num lugar da sala, sendo a ordem do convite relacionada ao n° de votos: o mais votado escolhe primeiro, o 2º mais votado, em 2° lugar, e assim por diante. Na segunda rodada de escolhas, pode-se inverter a ordem, começando pelo menos votado. A partir da 2ª rodada as escolhas são realizadas em conjunto, devendo o aluno votado e o 1º escolhido entrarem num acordo sobre o terceiro colega a ser convidado, e assim por diante. O importante é que as crianças discutam entre si e cheguem a um consenso sobre quem querem convidar. O convite deve ser justificado: “Gostaríamos de convidar o fulano, porque.....”.
Do mesmo modo a criança convidada deve dizer se aceita ou não o convite, justificando a sua resposta, em qualquer dos casos. Deve ficar muito claro para a criança que não aceita participar de nenhum dos grupos que ela não poderá ficar sozinha, assim como para os grupos, caso não queiram alguma criança, que nenhuma criança pode ficar sem grupo.
Para os alunos que ficam por último, se pode propor o inverso, que eles escolham o grupo do qual querem fazer parte, grupo este que também tem a possibilidade de aceitar ou não, justificando sua posição. Quando houver alguma situação de impasse em relação a alguma criança, propor que se faça uma experiência, que se lhe dê uma chance, promovendo tratos e combinados, retomando com o pequeno grupo e com o próprio aluno, além de com a turma.

Após a formação dos grupos

Organizar o conjunto de classes, de acordo com o número de componentes, sugere-se grupos de quatro omponentes.
Escolher um nome para o grupo e a formulação de regras que irão valer para eles, o que colocarão em um pequeno cartaz para afixar na sala. A professora deve discutir critérios e tópicos para esse trabalho, dentro daquilo que ela observa que deve ser mais trabalhado e cuidado pela turma: vai circulando e questionando cada grupo, auxiliando, retomando, orientando, etc., para que essa produção seja de fato eficaz nos momentos de avaliação posteriores.
Apresentação, de cada grupo, do seu trabalho à turma, permitindo que uns se enriqueçam com o trabalho dos outros; após a apresentação, todos podem reformular e incrementar o seu trabalho, se for o caso.
Escolha dos coordenadores dos grupos. A professora incluí,aqui, um trabalho específico com a questão da coordenação do grupo, retomando e discutindo suas funções.

Avaliando os grupos

Os compromissos assumidos têm que ser cobrados e trabalhados periodicamente, através situações de avaliação com os pequenos grupos, para que as próprias crianças tenham oportunidade de se expressar sobre como estão se sentindo naquele agrupamento, como estão vendo a produção de cada um e do grupo, dando-se conta do que podem melhorar e de como podem encaminhar situações que não estão bem.
Essa avaliação é feita de diferentes maneiras: oralmente, com o subgrupo sozinho e/ou na turma toda; com fichas de avaliação por grupo e por escrito, baseada nos critérios levantados no início do trabalho, a partir ou não de conversa com a professora; o importante aqui é dar voz às crianças e refletir com muito cuidado sobre o que fazer isso.

O que é Construtivismo, afinal?


O construtivismo, que é uma forma de pensar e ver o mundo ou uma corrente filosófica, que tem implicações e influências em toda a atividade humana (arte, ciência), na educação revoluciona porque tira o foco de atenção dos métodos e resultados, colocando-o no processo de aprendizagem e desenvolvimento, ou seja, na busca de entendimento de como a criança se desenvolve e aprende. Isso não quer dizer que os resultados das aprendizagens não sejam importantes e que a escola construtivista não deva ter expectativas e objetivos definidos. O que se coloca aqui é a importância histórica dessa mudança de olhar sobre o sujeito que aprende, compreendendo-o como sujeito ativo e pensante, capaz de aprender na interação com os objetos do conhecimento e com o outro, manipulando, experimentando, testando, errando, confrontando e refletindo, a partir do que já foi assimilado e construído anteriormente, ou seja, de sua estrutura intelectual e de seus conhecimentos prévios.

Essa mudança de foco, pelo que permitiu compreender sobre como a criança aprende, teve implicações radicais na forma de encaminhar o trabalho pedagógico:
  • o ensino tradicional, baseado nas concepções de que se aprende repetindo e de que o aprendiz tem que ouvir, prestar atenção e repetir e o professor tem de transmitir o conhecimento, foi paulatinamente sendo questionado e abandonado ou, pelo menos revisto;
  • passado um período inicial de contato com essas novas idéias e de tentativas apressadas de aplicação, alguns equívocos tiveram de ser desfeitos e, ao mesmo tempo, uma didática que respeitasse os seus pressupostos passou a ser construída.

Por exemplo, foi preciso reformular as idéias de que construir conhecimento significava aprender sozinho; de que o erro não existia, já que tudo era parte de um processo inevitável, e, portanto, a criança não poderia ser corrigida e nem tampouco necessitaria, já que, de qualquer modo, chegaria sozinha ao conhecimento; de que, sendo mais importante a atividade do aluno, o professor ficava em segundo plano no seu processo de aprendizagem e o material concreto, bem como a ação manipulativa em relação a ele, assumiam um papel determinante; de que limites não eram bem-vindos, já que os alunos deveriam ser autônomos; de que as intervenções significavam limitações ao processo da criança e à sua criatividade; de que significativo era o que despertasse interesse no aluno, sendo ele próprio o que deveria decidir sobre os conteúdos a serem aprendidos; de que garantindo-se o trabalho em grupos, nas salas de aula, se estaria garantindo um trabalho construtivo.

Dizer que a criança constrói o seu próprio conhecimento é acreditar que há um processo interno essencial, a partir da interação da criança com o objeto de conhecimento, o qual determina a forma como esse conhecimento será assimilado. Ou seja, é supor que a criança não fica esperando o professor para começar a aprender, pois se pergunta o tempo todo sobre as coisas e fenômenos a sua volta, busca respostas e constrói teorias para explicar o mundo que a rodeia.

Nesse processo influem a experiência e a bagagem anteriores da criança, ou seja, aquilo que ela já pôde construir em termos de conhecimentos, estruturas, habilidades e atitudes, assim como as suas condições sócio-emocionais. E é por isso que as crianças não aprendem todas da mesma maneira e em um mesmo tempo.


Fonte:http://www.escolaprojeto.com

Qual o papel do professor numa proposta construtivista?

A forma, a intensidade e a freqüência da interação que a criança estabelece com o objeto de conhecimento são essenciais, determinando, por exemplo, o nível dos questionamentos que ela pode chegar a formular, as relações que pode estabelecer e a organização que pode dar a tudo isso.

E é por isso que a intervenção externa é também muito importante, não só em termos de organização do ambiente e disponibilização de materiais, mas principalmente no sentido de instigar, desafiar, informar e orientar, o que, para nós, são funções primordiais do professor.

É essa intervenção que leva a criança a ampliar suas possibilidades do momento para capacidades que ela não poderia manifestar sozinha, mas só poderia exercer com o questionamento e a orientação de um experto/adulto, as quais, depois de um tempo, serão capacidades consolidadas, que ela poderá utilizar com autonomia. Trabalhando nessa “zona de desenvolvimento potencial (ou proximal)”, como a chamou Vigotsky, teremos, pois, a possibilidade de garantir avanços realmente significativos para as nossas crianças, resgatando o papel de ensinante do professor e superando idéias equivocadas: tanto as tradicionais, que o colocavam num lugar distante do aluno, sem conhecer sua forma de pensar e se preocupando somente com o ensino (dar a matéria) e não com a aprendizagem, como as espontaneístas, que o colocavam numa posição completamente passiva, deixando as crianças soltas, abandonadas à própria sorte e com poucas chances de transpor determinados conflitos cognitivos mais complexos.

Nesse sentido, se pensarmos também no papel da atividade do aluno e da manipulação do material concreto, de um lado, e da atuação do professor e papel dos conteúdos, de outro, podemos dizer que, mais do que a supremacia de um dos aspectos, há hoje uma convicção de que todos são muito importantes e estão em íntima relação uns com os outros, influindo, cada um à sua maneira, diretamente, no nível de aproximação com que as aprendizagens são realizadas. Ou seja, não é apenas garantindo que o aluno possa atuar, possa ter acesso a vários materiais concretos, possa manipulá-los livremente, que estaremos assegurando construções significativas em relação ao objeto de conhecimento em questão; poderá haver, sim, algumas aprendizagens, mas, para que se faça um ensino com qualidade, profundidade e consistência, é preciso ir além, oportunizando, a partir da experiência concreta, reflexões relevantes e significativas (eleitas e encaminhadas pelo professor, junto com a equipe da escola, a partir de critérios definidos em uma proposta construída), que levem o aluno a pensar o objeto de conhecimento em diferentes perspectivas, a organizar e a refletir sobre o que pensou, formulando conclusões e princípios e pondo tudo em relação com tudo. Além disso, ter claros os conteúdos que se deseja desenvolver (aqui entendidos os conteúdos não só como conceitos, mas também como procedimentos e atitudes) é imprescindível para conceber e concretizar um trabalho competente em relação a eles.

Assim, a intervenção pedagógica do professor, no seu dia-a-dia junto ao aluno, ou seja, as situações de ensino têm de ser planejadas de modo muito sério e refletido, de acordo com as possibilidades e interesses dos alunos, escolhendo-se as questões, os materiais e os recursos mais adequados ou instigantes para o momento, e coordenando-se sua execução e constante avaliação, em busca de uma aprendizagem que seja significativa. No exercício dessa função, o professor observa, problematiza, questiona, informa, indica, orienta, ajuda, fica junto, ao lado, mostra, propõe, ensina e aprende.

Fonte:http://www.escolaprojeto.com

Todos juntos somos fortes!

Todos Juntos

Chico Buarque

Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bicinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente
Vamos ver no que é que dá
Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como nós